ISSO é e-gov

Chicago, assim como NYC, resolveu escolher um especialista para ocupar o cargo de CTO da cidade. John Tolva, ex-diretor da IBM para “tecnologia e cidadania”, já começou a mostrar a que veio.

Primeiro declarou que pretende transformar Chicago em uma plataforma digital e focar em transparência, apesar de não ter apresentado um plano como NYC ou British Columbia, no Canadá (pelo menos ainda).

E, esta semana, lançou um site para informar a situação da neve nas ruas e estradas. O serviço, integrado ao 311, apresenta a informação num mapa em real-time, como não poderia deixar de ser – e faz alertas em SMS.

O que ele tem de diferente de outros é  uma funcionalidade social chamada “adote uma calçada”. Ao adotar uma calçada, o cidadão se torna responsável por mantê-la limpa (estamos falando de neve) e também pode compartilhar pás e equipamentos com seus vizinhos. Outra funcionalidade inovadora permite que as pessoas se cadastrem no “Snow Corps”, voluntários que removem neve para pessoas idosas e desabilitadas. Muito legal, né?

Mas o melhor é que Chicago disponibilizou o código do site para que outras comunidades possam implementar também.

ISSO é governo 2.0.

We, the people

No final de outubro, a Casa Branca começou a responder às demandas da população que chegam na forma de petições online, pelo site We the people. O site foi criado pela própria Casa Branca, como uma das iniciativas de e-gov do governo americano.

A primeira petição respondida requeria o perdão da dívida de estudantes. O governo não concedeu o perdão, mas ofereceu um novo plano de pagamento (renegociação).  A resposta foi publicada no site e também enviada por email para os 32mil cidadãos que assinaram a petição.

Depois foi a vez da resposta sobre a legalização da maconha. O governo americano alegou motivos de saúde pública para não legalizar a droga.

Evidentemente, pode-se discutir se as petições estão sendo atendidas ou não, mas a iniciativa, por si só, é valorosa porque o governo é obriga-se a responder oficialmente, por escrito,  as demandas da população.

Como deveria ser, não?

Resultados de um plano digital. Cadê o de São Paulo?

Nova Iorque criou, há aproximadamente um ano, um ousado plano para tornar a cidade “o mais digital que ela pode ser”. Já falei deste plano aqui. Neste vídeo, Rachel Sterne – Chief Digital Officer of NYC – mostra como o plano está mudando a cidade de NY e os resultados.

Esta é uma iniciativa em que outras grandes cidades, São Paulo por exemplo, estão muito atrasadas. É um absurdo que uma cidade do porte de São Paulo não tenha uma pessoa responsável por pensar em e-gov. As iniciativas ficam por conta da Secretaria de comunicação (que recentemente lançou um edital para agência de comunicação digital), mas que não tem o poder de oferecer os serviços contemplados num verdadeiro governo eletrônico porque o edital (e a verba) limitam-se somente ao âmbito da própria secretaria. E para se fazer um e-gov de verdade, é preciso integrar serviços, bancos de dados e ter uma visão geral. Não é uma visão de comunicação, o olhar necessário é o de serviço ou melhor: design de serviço.

Tem eleições no próximo ano. Espero ver um plano consistente de governo eletrônico na agenda dos candidatos.

O vídeo está em inglês.

Se o governo não vai até a transparência, a transparência vai até os governos

 

O Google lançou hoje uma nova ferramenta. O Google transparency Report. A ferramenta mostra números de pedido de retirada de informação de um dos produtos do Google e pedidos de informações sobre usuários, sempre por governos.

O Brasil lidera o ranking de pedido de retirada de informação. #shameonus

A ferramenta é um tapa nos governos menos transparentes, que podem começar a perceber que nem tudo está sob seu controle.

 

 

 

Há uma pedra collorida no meio do caminho

Estamos em um dos momentos mais importantes do país no que se refere ao nosso futuro como sociedade organizada e à qualidade da nossa democracia. A lei de acesso à informação (PLC 41/10), que tramita no Senado,estabelece que os cidadãos tenham acesso às informações públicas de forma clara, integral e atualizada. E mais, que estas informações possam ser manipuladas por sistemas computacionais. Se a Lei passar com o texto atual, você poderá saber qual o índice de criminalidade de um determinado bairro antes de abrir o seu negócio ali, por exemplo.

Novos empreendedores e comunidades de desenvolvedores irão criar centenas de aplicativos e websites que dêem funcionalidade a estes dados, desonerando os governos deste papel e estimulando a participação democrática do cidadão nos governos.

Porém, o Projeto de Lei, que já passou pela Câmara dos deputados com seu texto aprovado na íntegra, encontra um entrave: Fernando Collor de Melo. Atual Senador pelo Estado de Alagoas, ele e o Senador José Sarney acham que eu e você não devemos ter acesso às informações públicas.

Podemos torcer para ele mudar de ideia, como mudou ao longo dos anos sobre os “cambalachos”, ou melhor, alianças políticas com José Sarney. Veja a partir do minuto 1:19 deste vídeo (aliás, este vídeo chega chega a ser cômico: Lula e Collor renegando o atual aliado José Sarney. Atual aliado dos 2.)

Ou podemos protestar e cobrar dos nossos senadores que votem o projeto de lei na íntegra.

Os senadores americanos te respondem. E os brasileiros?

Em maio, o Youtube lançou o Youtube TownHall, “uma plataforma online para membros do congresso debaterem e discutirem virtualmente as principais questões do país”.

Os usuários do Youtube mandam perguntas. Para as mais votadas, um senador republicano e um democrata respondem em vídeo. E você vota no final, conforme seu posicionamento. Este mês as questões mais debatidas orçamento, transparência e Afeganistão.

E eu sempre me pergunto: Por que os governos no Brasil (federal, estaduais e municipais) não pensam em parceria com empresas de tecnologia como o Google para alavancar sua transparência e participação da sociedade? Em outros posts, falei por exemplo, que o Quênia fez parceria com o Google para construir seu portal da transparência, e que NYC anunciou parceria com Google, Facebook e Foursquare no seu plano digital , entre outras iniciativas. Mas no Brasil, não vemos isso. Por quê, #brasiu? Se alguém souber de iniciativa similar aqui, me conte!