O mapa da mina digital

Ontem falei do programa de Governo 2.0 da British Columbia, Canadá. Hoje falo do Road Map for the Digital City, o programa novaiorquino para tornar NYC ainda mais digital. Nunca é demais. A meta é transformar Nova Iorque na cidade mais digital do mundo. E os critérios são índices de acesso à internet, governo aberto, engajamento dos cidadãos e crescimento da indústria digital (importante e normalmente esquecido, pelo menos não metrificado, nos planos digitais dos governos).

O planejamento em si já foi colaborativo, ele contou com a participação de moradores da cidade no levantamento de sugestões e pesquisas feitas através do twitter, Quora, Facebook, google surveys e email.

A missão do programa NYC Digital é “criar uma sociedade civil mais saudável e fortalecer a democracia através do uso da tecnologia para engajar, servir e conectar os moradores de Nova Iorque“.

Os pontos que me chamaram mais atenção.

Primeiro, o resultado das pesquisas com os cidadãos. O item que ficou em primeiro lugar nas solicitações dos novaiorquinos foi redes wi-fi públicas. É importante ressaltar que Nova Iorque é uma cidade que já oferece diversos serviços digitais, inclusive wi-fi em espaços públicos. Basta ver os números. Mensalmente, cerca de 4 milhões de novaiorquinos acessam os serviços/informações do governo utilizando o Nyc.gov, o Facebook, o twitter ou aplicativos Mobile. Os outros 4 principais itens solicitados foram: informações sobre transporte público em tempo real, atualizações no nyc.gov (?), melhorias na aplicação mobile para o serviço 311 e informações centralizadas nas mídias sociais.

As principais ações desenhadas no planejamento são:

1. Acesso: ampliação de redes wi-fi em espaços públicos e esforço para ampliação da banda larga;

2. Governo Aberto

a. Ampliar a transparência e eficiência ampliando o acesso a dados públicos (open data)

b. Desenvolver a plataforma NYC, um framework de Governo aberto com APIs para desenvolvedores

c. lançamento de um hub central para a engajar a comunidade desenvolvedora e cultivar o feedback , além de unificar demanda e oferta

d. Introdução de ferramentas de visualização de dados que os tornem mais acessíveis para o público geral

3. Engajamento

a. expansão do 311 online através de aplicativos mobile, twitter e chats online

b. integração de ferramentas de crowdsourcing para situações de emergência

c. implantação de um kit de ferramentas digitais para os cidadãos, para engajamento com o governo digital

d. instalação de audiências públicas online para ouvir os cidadãos

E o que me parece mais promissor: eles fizeram parceria com Facebook e Foursquare para desenvolvimento conjunto de produtos específicos para a cidade. Aí sim. Há tempos que falo que gostaria de pagar meu IPTU usando um aplicativo do Facebook, integrado ao calendário para me lembrar da data.

E entre os planos para a indústria digital, está o suporte a infra-estrutura par start-ups.

É lindo, mas senti falta de ferramentas para a participação democrática no processo político (orçamento colaborativo, por exemplo), apesar de não ser um plano específico de governo 2.0. Achei também que o desenvolvimento está sendo transferido para a comunidade desenvolvedora, mas alguns serviços que só podem ser fornecidos pelo governo não foram contemplados. O nyc.gov já oferece vários, mas eu não deixaria de fora, pelo menos, ampliar o uso dos serviços online. Até porque, apesar dos índices de acesso serem altos, ainda tem muita gente que não está fazendo uso deles.

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Você, no centro da questão

Em meu último post, apresentei o Youtube for government e critiquei a falsa impressão que alguns podem ter de que basta o governo ter canais de comunicação nas chamadas mídias sociais para ele se considerar “e”. Ou seja, para realmente prestar serviço ao cidadão, qualquer governo deve fazer bem mais que isso. Deve mudar  seu modus operandi e sua cultura. Falei disso também no Social Media Brasil 2011. Óbvio que sou a favor do Youtube incentivar governos a criarem canais e compartilharem vídeos informativos, principalmente porque pode mostrar ao Governo que não é necessário gastar tanto com TV (longa discussão), mas eu só queria alertar para que uma funcionalidade não virasse o todo. E também para que abrir um canal no Youtube não significa modernizar a comunicação se você estiver apenas transferindo a velha política para um novo canal.

Programas bem sucedidos de implantação de e-gov exigem planejamento a médio prazo, no mínimo. E exigem um redesenho dos seus serviços. Ou seja, também não basta pegar o sistema de matrícula e transforma-lo em web-based. É preciso redesenhar o processo de matrícula e integrar todos os canais por onde o serviço é prestado. Se um pai ou uma mãe estiver fazendo a matrícula do filho na escola pública pela web e a conexão cair, o que ela(e) faz? Todas estas orientações precisam estar claras e o serviço garantido independente do canal utilizado. E exige participação pública.

Hoje tive acesso ao Programa de implementação de um governo 2.0 em British Columbia, um distrito do Canadá, através do Blog Mundoutro. Apesar de concordar com ela de que é necessário mais do que disponibilizar serviços de alta qualidade, é preciso promover a participação nos próprios processos políticos, vejo o documento como um planejamento inicial estruturado para o que chamo de Gov-to-you (o ideal é o gov-with-you). Você também pode baixar o programa, mas abaixo listo os principais pontos que me chamaram atenção.

Primeiro, o nome do programa: “Cidadãos no centro”, significando “O cidadão no centro dos nossos esforços e atenção”.

Segundo, os princípios estabelecidos:

Primeiro princípio: “Nós vamos estimular os cidadãos a criar valor a partir de dados abertos do governo.”

Segundo princípio: “Nós vamos economizar o tempo do cidadão em suas interações com o governo e facilitar o acesso a serviços de melhor qualidade.”

Terceiro princípio: “Nós vamos encorajar a colaboração no serviço público porque ela é essencial para a entrega de serviços de qualidade.”

É isso, são apenas 3 princípios. Simplicidade, minha gente.

O discurso inicial de Allan Seckel,  chefe do Serviço Público de B.C. demonstra a consciência que levou aos 3 princípios. Ele diz:

Uma transformação efetiva envolverá mais do que novas ferramentas e sistemas. Uma transformação real e substantiva vai requerer um esforço de mudança de políticas, práticas e legislação para garantir que estas suportem a efetiva aplicação e uso da tecnologia. Nós já começamos a trilhar este caminho, mas este plano vai nos levar além e, no processo, testar nossa determinação em mudar. E o mais importante, nosso sucesso será determinado pela nossa força de vontade em mudar através do esforço de aproximadamente 30.000 funcionários. Isso significa que não apenas devemos suportar, mas realmente estimular a criatividade e novas ideias, e devemos ser muito determinados em trabalharmos juntos como uma única organização. Tradicionalmente, as operações do governo tem refletido sua estrutura altamente dividida, com cada programa construído somente a partir do orçamento da sua área, seus sistemas, suas redes. Hoje, nós estamos migrando para um modelo mais colaborativo para encaminhar questões maiores, modelo este desenhado sobre os recursos de múltiplos ministérios, agências externas e outros níveis do governo. Vamos encorajar a colaboração enquanto desencorajamos a fragmentação. Nosso objetivo é mudar das práticas tradicionais que apenas resultaram na implementação de soluções paliativas para manter e modificar sistemas existentes para uma abordagem mais a longo termo. É hora de darmos um passo mais ambicioso para transformar como o governo presta seus serviços. Eu sei que ultrapassar estas barreiras não será fácil. Requer tempo e comprometimento a longo prazo. Algum progresso vai ser visível rapidamente  e outros vão levar anos. E o mais importante, esta mudança requer que o Serviço Público  não apenas mude algumas políticas e tecnologias, mas também sua cultura. Tenho muita confiança de que estamos preparados.

É isso aí, Governo 2.0 é mais do que um termo da moda. Exige investimento, estrutura, redesenho de serviços, mudança cultural, colaboração, participação pública e muita força de vontade. Exige colocar o cidadão no centro da questão.

A velha política na nova mídia

Pelo que entendi, não tem nada demais. É apenas um canal no Youtube. Qual a diferença? Quando o google começa a dar dicas para que os governos estejam presentes no Youtube e tenham seus próprios canais, vejo boas consequências, porém sem grandes mudanças.

Fica mais fácil convencer governos a entrarem, a partir dos exemplos de outros e compartilharem mais informações sobre o que acontece com os cidadãos. Tem a vantagem dos governos verem que não precisam gastar tanto com televisão, pelo menos a médio prazo. Mas sem mudanças culturais, provavelmente o que veremos é o famoso “mais do mesmo”: muita progaganda e comentário moderado.

Bila Amorim.

Apresentação no Social Media Brasil

Segue a apresentação que fiz no Social Media Brasil, no dia 04/06/2011, sob o tema “como os governos podem usar as Mídias Sociais para ajudar a população”. Claro que a apresentação contém apenas tópicos, então pode gerar dúvidas sobre o raciocínio completo. Qualquer dúvida, é só perguntar. ;)

Enjoy it!

Bila Amorim.

New York, New York

A palestra abaixo é interessante e NYC tem mesmo muitas iniciativas geniais. Porém, infelizmente, Rachel Sterne não se aprofunda na questão engajamento, que é um dos grandes problemas dos serviços que são criados. Seria bem interessante conhecer os dados de acesso.

A dica do vídeo veio do Bruno Scartozzoni.

Bila Amorim.