Governo como plataforma

Este vídeo mostra alguns exemplos de cidadãos colaborando com governos.

Eu concordo que os governos não conseguem resolver tudo, se eles apenas oferecerem a estrutura necessária para a colaboração dos cidadãos, as soluções vem. Está em inglês, sem legenda.

A dica é da Mariana Oliveira.

Portal da transparência de SP: para quem?

Ontem, chamei a atenção para as páginas de consulta de despesas em inglês no novo portal da transparência do Governo de SP. As páginas foram traduzidas. Que bom. Mas é uma pena que o site tenha tantos problemas de concepção ou de entendimento do conceito de transparência, aparentemente. Com isso, traduzir uma página em inglês é o mínimo, já que elas continuam incompreensíveis. A página em si, é um formulário que parece vir direto do banco de dados. Ou seja, o usuário tem que escolher opções como esta abaixo, onde está escrito: “Digite uma string de pesquisa para encontrar um arquivo de trabalho específico ou um conjunto de resultados. Use o menu drop-down para escolher entre Arquivos de Trabalho de Banco de dados e Arquivos de trabalho programados.”

O que são “Arquivos de Trabalho de banco de Dados” e “Arquivos de Trabalho Programados”?  Quem é o cidadão que sabe o que isso significa? Eu não sei. Logo abaixo vem isso:

De novo, o que significa “renovar”? Ou seja, o usuário não tem a menor noção de como usar esta tela e chegar nos resultados. O Manual de navegação ajuda, mas se você chega lá. Ele está em um outro link, que por sua vez, tem subdivisões. E sabe o que você deve fazer nesta tela segundo o manual? Apenas clicar em ” Investimentos”.

Hoje consegui também exportar o resultado. Muito bom isso. Ou seja, os dados podem ser manipulados para análise. Apesar disso, alguns campos vieram preenchidos com “N.A”. Não sei o que significa e não consta no glossário.

Na página de resultados, tentei clicar no menu “opções de planilha” para ver o que o sistema retornava. Me foi pedida uma senha, conforme abaixo. Senha??

Daí resolvi clicar em “Criar conexão” e outra tela incompreensível me foi apresentada:

Atençao para a “dica”: Será solicitado que você selecione uma Camada do usuário Final e/ou uma Responsabilidade dos Aplicativos se houver mais de uma.” Ah, tá. Com essa dica, entendi tudo!

Cliquei em “Stoplight” para saber o que era isso, também logo acima do resultado da consulta. O sistema me retornou esta tela abaixo, com esta dica: “A faixa aceitável está entre valores inaceitáveis e desejáveis.” Oi?

Estes são apenas alguns exemplos dentre tantos absurdos que encontrei. Não dá para colocar todos, o post ficaria comprido demais.

Honestamente, talvez fosse melhor ter deixado a tela em inglês mesmo. Melhor incompreensível por estar em outra língua do que incompreensível em nosso próprio idioma.
Curioso, boa usabilidade é um dos objetivos do portal, como eles próprios afirmam no “Sobre o portal”. Veja:

Como eu disse ontem: revoltante. Parece descaso  tanto com o tema transparência quanto com o cidadão.

ISSO é e-gov

Chicago, assim como NYC, resolveu escolher um especialista para ocupar o cargo de CTO da cidade. John Tolva, ex-diretor da IBM para “tecnologia e cidadania”, já começou a mostrar a que veio.

Primeiro declarou que pretende transformar Chicago em uma plataforma digital e focar em transparência, apesar de não ter apresentado um plano como NYC ou British Columbia, no Canadá (pelo menos ainda).

E, esta semana, lançou um site para informar a situação da neve nas ruas e estradas. O serviço, integrado ao 311, apresenta a informação num mapa em real-time, como não poderia deixar de ser – e faz alertas em SMS.

O que ele tem de diferente de outros é  uma funcionalidade social chamada “adote uma calçada”. Ao adotar uma calçada, o cidadão se torna responsável por mantê-la limpa (estamos falando de neve) e também pode compartilhar pás e equipamentos com seus vizinhos. Outra funcionalidade inovadora permite que as pessoas se cadastrem no “Snow Corps”, voluntários que removem neve para pessoas idosas e desabilitadas. Muito legal, né?

Mas o melhor é que Chicago disponibilizou o código do site para que outras comunidades possam implementar também.

ISSO é governo 2.0.

We, the people

No final de outubro, a Casa Branca começou a responder às demandas da população que chegam na forma de petições online, pelo site We the people. O site foi criado pela própria Casa Branca, como uma das iniciativas de e-gov do governo americano.

A primeira petição respondida requeria o perdão da dívida de estudantes. O governo não concedeu o perdão, mas ofereceu um novo plano de pagamento (renegociação).  A resposta foi publicada no site e também enviada por email para os 32mil cidadãos que assinaram a petição.

Depois foi a vez da resposta sobre a legalização da maconha. O governo americano alegou motivos de saúde pública para não legalizar a droga.

Evidentemente, pode-se discutir se as petições estão sendo atendidas ou não, mas a iniciativa, por si só, é valorosa porque o governo é obriga-se a responder oficialmente, por escrito,  as demandas da população.

Como deveria ser, não?

Resultados de um plano digital. Cadê o de São Paulo?

Nova Iorque criou, há aproximadamente um ano, um ousado plano para tornar a cidade “o mais digital que ela pode ser”. Já falei deste plano aqui. Neste vídeo, Rachel Sterne – Chief Digital Officer of NYC – mostra como o plano está mudando a cidade de NY e os resultados.

Esta é uma iniciativa em que outras grandes cidades, São Paulo por exemplo, estão muito atrasadas. É um absurdo que uma cidade do porte de São Paulo não tenha uma pessoa responsável por pensar em e-gov. As iniciativas ficam por conta da Secretaria de comunicação (que recentemente lançou um edital para agência de comunicação digital), mas que não tem o poder de oferecer os serviços contemplados num verdadeiro governo eletrônico porque o edital (e a verba) limitam-se somente ao âmbito da própria secretaria. E para se fazer um e-gov de verdade, é preciso integrar serviços, bancos de dados e ter uma visão geral. Não é uma visão de comunicação, o olhar necessário é o de serviço ou melhor: design de serviço.

Tem eleições no próximo ano. Espero ver um plano consistente de governo eletrônico na agenda dos candidatos.

O vídeo está em inglês.

Se o governo não vai até a transparência, a transparência vai até os governos

 

O Google lançou hoje uma nova ferramenta. O Google transparency Report. A ferramenta mostra números de pedido de retirada de informação de um dos produtos do Google e pedidos de informações sobre usuários, sempre por governos.

O Brasil lidera o ranking de pedido de retirada de informação. #shameonus

A ferramenta é um tapa nos governos menos transparentes, que podem começar a perceber que nem tudo está sob seu controle.