Papos na rede sobre e-gov

Ontem participei do papos na rede. Foi mais de uma hora de conversa boa sobre e-gov, com pessoas interessadas, questionadoras e estimulantes.

Para quem quiser ouvir, é só clicar aqui.

Obrigada a Márcia Ceschini pelo convite e Bruno Scartozzoni pela indicação.

Bila Amorim.

Governo como plataforma

Este vídeo mostra alguns exemplos de cidadãos colaborando com governos.

Eu concordo que os governos não conseguem resolver tudo, se eles apenas oferecerem a estrutura necessária para a colaboração dos cidadãos, as soluções vem. Está em inglês, sem legenda.

A dica é da Mariana Oliveira.

Portal da transparência de SP: para quem?

Ontem, chamei a atenção para as páginas de consulta de despesas em inglês no novo portal da transparência do Governo de SP. As páginas foram traduzidas. Que bom. Mas é uma pena que o site tenha tantos problemas de concepção ou de entendimento do conceito de transparência, aparentemente. Com isso, traduzir uma página em inglês é o mínimo, já que elas continuam incompreensíveis. A página em si, é um formulário que parece vir direto do banco de dados. Ou seja, o usuário tem que escolher opções como esta abaixo, onde está escrito: “Digite uma string de pesquisa para encontrar um arquivo de trabalho específico ou um conjunto de resultados. Use o menu drop-down para escolher entre Arquivos de Trabalho de Banco de dados e Arquivos de trabalho programados.”

O que são “Arquivos de Trabalho de banco de Dados” e “Arquivos de Trabalho Programados”?  Quem é o cidadão que sabe o que isso significa? Eu não sei. Logo abaixo vem isso:

De novo, o que significa “renovar”? Ou seja, o usuário não tem a menor noção de como usar esta tela e chegar nos resultados. O Manual de navegação ajuda, mas se você chega lá. Ele está em um outro link, que por sua vez, tem subdivisões. E sabe o que você deve fazer nesta tela segundo o manual? Apenas clicar em ” Investimentos”.

Hoje consegui também exportar o resultado. Muito bom isso. Ou seja, os dados podem ser manipulados para análise. Apesar disso, alguns campos vieram preenchidos com “N.A”. Não sei o que significa e não consta no glossário.

Na página de resultados, tentei clicar no menu “opções de planilha” para ver o que o sistema retornava. Me foi pedida uma senha, conforme abaixo. Senha??

Daí resolvi clicar em “Criar conexão” e outra tela incompreensível me foi apresentada:

Atençao para a “dica”: Será solicitado que você selecione uma Camada do usuário Final e/ou uma Responsabilidade dos Aplicativos se houver mais de uma.” Ah, tá. Com essa dica, entendi tudo!

Cliquei em “Stoplight” para saber o que era isso, também logo acima do resultado da consulta. O sistema me retornou esta tela abaixo, com esta dica: “A faixa aceitável está entre valores inaceitáveis e desejáveis.” Oi?

Estes são apenas alguns exemplos dentre tantos absurdos que encontrei. Não dá para colocar todos, o post ficaria comprido demais.

Honestamente, talvez fosse melhor ter deixado a tela em inglês mesmo. Melhor incompreensível por estar em outra língua do que incompreensível em nosso próprio idioma.
Curioso, boa usabilidade é um dos objetivos do portal, como eles próprios afirmam no “Sobre o portal”. Veja:

Como eu disse ontem: revoltante. Parece descaso  tanto com o tema transparência quanto com o cidadão.

Portal da transparência de SP, para inglês ver (literalmente)

Hoje o governo de São Paulo lançou o seu portal da transparência. A iniciativa, infelizmente, frustra muito o usuário pois a maioria dos dados publicados, não são dados abertos. Ou seja, há relatórios em formato pdf e dados confinados em banco de dados Oracle que não podem ser exportados e manipulados pela população. Por manipulados, não entendam alterados. Manipulados significa agrupados, filtrados ou organizados de forma a facilitar a análise. Esta é uma das premissas da transparência, afinal, a dificuldade de analisar dados nestes formatos faz a ação de divulgar os dados ter efeito mínimo ou nulo. Como se não tivessem sido divulgados, pois não podem ser analisados. Este conceito é amplamente difundido em quem trabalha com transparência. Há vários documentos sobre o assunto, inclusive uma cartilha, promovida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, a W3C Brasil, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR e o Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, com parte elaborada pelo Transparência Hacker, de 2011.

Mas o que mais me chocou: o site tem páginas em inglês! Ao clicar em “Investimentos Realizados” ou “Receitas arrecadadas por órgãos do Estado” o usuário é encaminhado para a página abaixo para consulta no banco de dados. É o termo “para inglês ver” levado ao pé-da-letra?

 

Observação em 18/01: hoje, um dia após o lançamento, as páginas foram traduzidas.

Isso, claro, se você tiver um curso de Oracle para manipular a consulta. Aliás, se você consegue fazer a consulta e obter algum resultado, este também não é dado aberto.

Arquitetura sofrível. Nesta página e nas subsequentes, não existe botão de retornar, nem se retorna ao clicar na logo do portal. Ou seja, o usuário tem que ficar clicando em “Voltar” no browser, se quiser retornar à pàgina principal. Encontrei outros vários problemas de usabilidade, mas não é o caso listá-los aqui.

E então, finalmente encontrei dados que podem ser exportados. Estão “escondidos” no link “alimentação escolar” que agrupa outros tipos de despesa também. O arquivo exportado peca porque todos os campos do banco de dados vem em um só campo. Ou seja, mais trabalho para alguém que queira ultilizar os dados para análise.

Lamentável. Revoltante, até. A intenção talvez tenha sido ótima, não dá para saber, mas a execução foi péssima. Me pergunto se os responsáveis envolveram as entidades que estudam e trabalham com isso e poderiam orientar sobre a forma correta de se fazer. Me parece um produto concebido erroneamente e não finalizado que entrou no ar. O que mais me intriga é que o Governo Estadual já tem outros sites de transparência, o Governo Aberto e o Prestando Contas. Primeiro, não entendi porque mais um portal. Segundo, estes 2 citados são bem melhores que o portal lançado hoje.

ISSO é e-gov

Chicago, assim como NYC, resolveu escolher um especialista para ocupar o cargo de CTO da cidade. John Tolva, ex-diretor da IBM para “tecnologia e cidadania”, já começou a mostrar a que veio.

Primeiro declarou que pretende transformar Chicago em uma plataforma digital e focar em transparência, apesar de não ter apresentado um plano como NYC ou British Columbia, no Canadá (pelo menos ainda).

E, esta semana, lançou um site para informar a situação da neve nas ruas e estradas. O serviço, integrado ao 311, apresenta a informação num mapa em real-time, como não poderia deixar de ser – e faz alertas em SMS.

O que ele tem de diferente de outros é  uma funcionalidade social chamada “adote uma calçada”. Ao adotar uma calçada, o cidadão se torna responsável por mantê-la limpa (estamos falando de neve) e também pode compartilhar pás e equipamentos com seus vizinhos. Outra funcionalidade inovadora permite que as pessoas se cadastrem no “Snow Corps”, voluntários que removem neve para pessoas idosas e desabilitadas. Muito legal, né?

Mas o melhor é que Chicago disponibilizou o código do site para que outras comunidades possam implementar também.

ISSO é governo 2.0.